Grêmio Estudantil Parthenon: o exercício da cidadania para além dos muros escolares

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Contribuir para a inserção de jovens em contextos políticos cada vez mais complexos e refinados não é tarefa das mais fáceis. E é justamente por isso que escolas envolvidas com a formação integral dos cidadãos buscam recriar esses mesmos contextos, de tão complicada observação, em seus espaços. Isso quer dizer que é de suma importância que ações que envolvam o exercício da cidadania, a prática da democracia e o protagonismo juvenil façam parte do cotidiano das instituições de ensino. Para que se formem cidadãos atuantes, os Grêmios Estudantis merecem atenção especial uma vez que permitem as práticas cidadãs comuns em sociedades democráticas.

Retomados a partir de 1985, os grêmios escolares encontram suas bases legais na Lei 7398, sancionada em novembro daquele mesmo ano, que dispõe, em seu artigo primeiro, sobre a organização de entidades representativas dos estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio bem como regulamenta as práticas desses grupos com finalidades educacionais, culturais, cívicas, esportivas e sociais. Além dessa lei, o Estatuto da Criança e do Adolescente, por meio da Lei 8069 de 13 de julho de 1990, garante a organização dos agrupamentos estudantis ao afirmar, em seu artigo de número 53, que a criança e o adolescente têm direito à educação com vistas ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, ao preparo para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho. No inciso IV desse mesmo documento, garante-se aos estudantes o direito de se organizar e participar de entidades estudantis.

Parece bastante certo informar que a ação desses meninos e meninas os insere como atuantes em potencial e sujeitos de direitos. Nesse sentido, o Grêmio Estudantil pode ser entendido como um espaço concreto de prática social onde todos exercem suas experiências participativas e de atuação coletiva e, consequentemente, social uma vez que a coexistência com opiniões diferentes, a argumentação em público nas reuniões, a resolução de problemas e até mesmo o exercício de discutir questões relativas à escola e aos estudantes podem aparecer como um campo potencialmente fértil para o envolvimento social dos mesmos.

Explicitada a importância dos grêmios dentro das escolas e o seu potencial para a aprendizagem, tornou-se urgente o surgimento de um grupo de adolescentes que pudesse dar voz a todos os alunos dessa instituição. Para tanto, um colegiado de aproximadamente 50 representantes de turma foi eleito em voto direto por alunos do 7º ano do Ensino Fundamental II à 3ª série do Ensino Médio. Esses representantes têm, a partir do momento de sua eleição, o desafio de criar um documento estatutário capaz de definir o campo de atuação e as regras de funcionamento do grêmio estudantil do colégio.

Consolida-se, desse modo, dentro do Parthenon, a escuta atenta às reivindicações dos estudantes no que diz respeito à organização de um fórum de discussão aberto aos alunos e ex-alunos. Sendo a escola um espaço desafiador na construção e formalização de conhecimento, fomentar suas conexões com o mundo é fundamental para que nossos alunos e alunas constituam suas identidades. Ao longo destes quase 40 anos, o Colégio Parthenon se manteve atento aos desafios de criar e estimular possibilidades de contato entre seus alunos e o mundo que os cerca.

Em tempos complexos como os que estamos vivendo, faz-se necessário fomentar a organização dos alunos em torno da composição de um colegiado com legitimidade para lidar com as dinâmicas acadêmicas bem como com a diversidade presente na instituição e com os desafios que os jovens enfrentam desde as séries iniciais da sua trajetória escolar. Saliente-se que a escola é o primeiro ambiente de convivência social além da família à qual eles pertencem. A organização dos alunos em agremiações deste perfil sempre propiciou aos coletivos estudantis uma importante experiência de participação democrática no exercício de seus direitos e deveres dentro da escola, seja na rede pública ou privada.

Como o grêmio do Parthenon vai funcionar

Essa organização se dará por meio de realização de encontros presenciais, rodas de conversa, leitura de textos, relatos de práticas, fóruns virtuais permanentes, entre outras estratégias capazes de mobilizar meninas e meninos a criar um estatuto que explicite sua voz em diferentes instâncias da instituição. No primeiro momento, será necessária a mediação de professores que se responsabilizem por construir junto aos alunos esse processo e, assim, garantir, em um futuro próximo, que eles possam autonomamente conduzi-lo.

Nossa exposição sobre o nascimento do Grêmio Estudantil do Colégio Parthenon permite vislumbrar seu importante papel dentro da Instituição. Guardada sua principal função de exercício da cidadania, esse grupo também será responsável pela organização de campeonatos, festivais de música, cursos, jornais, excursões, debates, festas, apresentações de teatro, dentre outros eventos. É esse agrupamento que vai representar os interesses dos alunos e cobrar da direção da escola e de outros órgãos a solução de problemas existentes e tudo o que diz respeito aos interesses dos alunos.

Convidamos a todos que acompanhem esse percurso de crescimento e autonomia dos nossos alunos como seres humanos atuantes e reconhecedores da importância do respeito e convívio com a diversidade.

Por Marca Bonano e Nelson Velloso, coordenadores do Colégio Parthenon