A Ciência vai à Escola: MOSTREXPLIQUE e a Alfabetização Científica

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O Mostrexplique é a maior feira de ciências de Guarulhos. Nos meses que antecedem o evento, nossos alunos produzem diversas pesquisas e levantamentos científicos.

Em tempos de pessoas afirmando que a Terra é plana, que as vacinas não têm qualquer efeito sobre nosso sistema imunológico, que ingestão de frutas em jejum curam doenças incuráveis, é preciso refletir sobre o papel do conhecimento científico no mundo. Na verdade, é preciso compreender onde está o abismo entre a ciência feita pelos cientistas e aquela divulgada para o restante da população.

Desde a antiguidade, o homem observa a natureza ao seu redor e, a partir dela, tira conclusões que guiam sua rotina. Assim, nossos ancestrais já olhavam para o céu e conseguiam relacionar posições das estrelas e da Lua com a melhor época para plantar vegetais, ou colher frutas. Da mesma forma, egípcios, há mais de 9000 anos, estabeleceram um dos primeiros calendários conhecidos, após constatarem que os melhores períodos de plantio se repetiam de tempos em tempos.

Com o passar dos séculos, a humanidade foi se desenvolvendo e as observações foram ficando cada vez mais precisas, contextualizadas e articuladas, gerando pesquisas e um conjunto de conhecimentos sistematizados, hoje, chamado de Ciência. E assim, com uma especialização cada vez mais crescente, milhares de cientistas ao redor do globo continuam observando e testando hipóteses, concluindo e refutando experimentos, desenvolvendo tecnologias e formas de fazer o homem aproveitar melhor sua própria vida.

Atualmente, diante do grande desenvolvimento de aparelhos e técnicas, que propiciam aos cientistas uma melhor análise dos fenômenos naturais, torna-se necessária uma divulgação adequada desse conjunto de conhecimentos, para que a população possa também ter acesso aos processos científicos, conseguindo utilizá-los no julgamento de questões sociais, econômicas, políticas e ambientais – é preciso que a população consiga “ler” ciências.

Quando falamos em ler, não se trata de uma exagero, ou força de expressão. A Ciência, tão simples para os cientistas, compõe-se de uma sequência de símbolos, equações, terminologias e culturas específicas, ou seja, é como se aprendêssemos um novo idioma, com todas as suas especificidades; é como se fosse necessária uma nova alfabetização… Uma alfabetização científica.

Ensinar ciências, portanto, não se resume à memorização de nomes e acontecimentos, mas a um cuidadoso processo pedagógico que vai além de conhecer as nomenclaturas específicas de cada área ( quem se lembra das pteridófitas, cinemática, misturas heterogêneas, entre outros?), mas, também, na elaboração e teste de hipóteses, no controle das variáveis, na proposição de experimentos e soluções de problemas, no desenvolvimento de conclusões e exceções…

Cada um desses procedimentos, dentro do processo de alfabetização científica, é o propulsor para o estudante ter uma fundamentação sólida, que o auxiliará a compreender e julgar o mundo ao seu redor com base em conhecimentos científicos, auxiliando-o a argumentar através do conhecimento historicamente construído pelos seres humanos, com o intuito de melhorar suas tomadas de decisão.

Como parte desse processo de alfabetização, o Colégio Parthenon, há oito anos, promove a realização do MOSTREXPLIQUE. Muito mais do que uma feira de ciências, o evento busca mobilizar professores e estudantes da educação infantil ao ensino médio a mergulharem nos métodos científicos, a pesquisarem temas significativos, selecionarem informações e fontes confiáveis, argumentarem de forma coerente e fundamentada e, por fim, apresentarem seus resultados à comunidade.

Assim, em convergência com a proposta pedagógica do colégio, durante 9 meses, os alunos ficam inseridos em seus grupos de pesquisa, imersos nos elementos da cultura científica, buscando novas informações, discutindo suas aplicabilidades, expondo os resultados… Exatamente como quando aprenderam a ler, formulando hipóteses, testando, reconstruindo, até alcançar a compreensão da estrutura e funcionamento da língua. Agora, debruçam-se em aprender os termos da ciência, formando hipóteses, conclusões e teorias. E o universo é o limite.