“A diferença faz parthe”: Um projeto sem igual

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Sabemos que receber a informação de que um filho foi diagnosticado no Transtorno de Espectro Autista (TEA) não é fácil. O conhecimento que grande parte das pessoas tem sobre o autismo é ainda muito restrito e, logo, se imagina uma criança sem comunicação, isolada num canto, balançando o próprio corpo ou sacudindo os braços. As inseguranças vêm à cabeça dos pais, que se veem perdidos, numa angustiante busca por tratamentos e terapias. Além disso, há também a preocupação sobre como será a aceitação dessa criança.

Conhecendo bem essas angústias e observando que, no Colégio Parthenon, havia outras crianças e adolescentes nessa condição, tivemos a ideia de criar um grupo para acolher os pais, tranquilizá-los e trocar experiências. O projeto foi apresentado de forma muito modesta à diretora pedagógica do Colégio, e psicóloga, Simone Panocchia Tahan. Tivemos a grande felicidade de ter nosso projeto muito bem acolhido. A diretora, além de nos oferecer o espaço, também nos brindou com sua presença nos encontros a fim de conhecer melhor a nossa realidade, nossas expectativas e nos aconselhar como psicóloga.

Desse modo, em agosto de 2017, três mães fundaram junto com a diretora Simone o Grupo de Pais “A Diferença faz Parthe”. Com o tempo, outras mães se juntaram e o grupo se tornou, não apenas um lugar de troca de experiências, mas, sobretudo, um espaço de discussão de temas.

Ao tomarem conhecimento da existência do grupo, alguns professores demonstraram o desejo de acompanhar os encontros. A diretora Simone também solicitou que alguns professores mostrassem a visão dos educadores sobre o autismo. Assim, em fevereiro de 2018, o grupo foi aberto a todos os colaboradores do Parthenon. A adesão ao projeto foi surpreendente, o que nos demonstrou o quanto temos profissionais comprometidos no colégio. A participação dos professores foi, sem dúvida, um ganho muito grande para os encontros mensais do grupo.

É importante dizer que a criação e o desenvolvimento desse projeto no Colégio Parthenon é uma iniciativa inovadora e que revela, acima de tudo, a abertura da instituição em acolher alunos com diferentes necessidades. Infelizmente, ainda são muito comuns relatos de escolas que se recusam a receber crianças no Espectro. Nossa expectativa é que o grupo cresça ainda mais e essa iniciativa seja uma semente para que outros pais e instituições se unam para que não apenas as crianças e os adolescentes no espectro autista possam se preparar para o mundo, mas que também o mundo possa se preparar para eles. É urgente para nossa sociedade atual perceber que A Diferença Faz Parthe!

Veja a seguir os depoimentos de algumas mães e profissionais sobre o projeto.

Fazer parte do Grupo “A Diferença Faz Parthe” é para mim uma grande satisfação. Ter a possibilidade de discutir temas referentes ao Transtorno de Espectro Autista com outras mães e com os colaboradores do Colégio (professores e funcionários) me faz crescer e aprender, ao mesmo tempo em que me faz dividir com outras pessoas aquilo que aprendi lendo, participando de palestras e eventos, e, sobretudo, no convívio com meus filhos. Não tenho palavras para expressar a alegria que sinto ao ver o Grupo crescendo. Isso renova minha esperança em ter um mundo melhor para os meus filhos. Sou muito grata ao Colégio Parthenon por essa oportunidade e a todos que participam comigo desse lindo Projeto por sua disponibilidade e compromisso!

Mariângela de Araújo – mãe do Sávio, da Laura e da Lara.

Fazer “parthe” de um grupo que divide saberes, é sempre muito bom! Sabendo, ainda, que o objetivo maior é fazer com que o mundo (Eu sei que conseguirão contagiar muitas pessoas) saiba o quanto, enquanto cidadãos, devemos respeitar as diferenças sem fazer diferença com qualquer pessoa, é um bem maior ainda. Ao meu ver, independente, da profissão, todos, precisam conhecer, ouvir e aprender um pouco sobre o TEA, é essencial, isso pensando enquanto sociedade.

Aprendo a cada encontro, aliás no último, o que marcou foi a frase “Não usar, não significa não saber e talvez, apenas, não querer “Eu sei, mas não quero falar”, por exemplo.

Regiane Chikazawa de Oliveira – Professora do 3º ano do Colégio Parthenon

Sou professora desde sempre e já estou no Parthenon há algum tempo. Esta escola sempre teve um perfil diferente no que tange ao acolhimento e a consciência da responsabilidade com alunos que, por uma razão ou outra, apresentam a necessidade de um acompanhamento diferenciado. Embora sempre tenha havido a preocupação em manter o quadro docente bem informado das características e principais ações a serem adotadas para cada situação, eu, pessoalmente, sempre me senti pouco segura, já que em nenhum momento da minha formação acadêmica tive uma disciplina ou algum profissional que se dedicasse a esse treinamento.

Este ano estou tendo um grande desafio. Dentre meus alunos (e são muitos), tenho um que está dentro do espectro autista. Não é minha primeira experiência, mas sem sombra de dúvidas, é a primeira vez que estou tendo a oportunidade de conhecer melhor o que isso significa e implica na minha prática docente. Embora o grupo de mães já venha se encontrando desde o ano passado, só recentemente consegui me organizar para poder participar de um deles, e foi simplesmente transformador.

Ouvir atentamente explicações e relatos das experiências vividas por elas e que se diferem pelas especificidades que envolvem cada criança, mexeu de forma tão intensa comigo que fica difícil explicar esse sentimento que se mistura com tomada de consciência. O fato de ser mãe certamente facilitou muito a empatia, e isto gerou uma série de questionamentos sobre como proceder da melhor maneira possível com meu aluno.

Tenho pensado muito e tentado encontrar formas mais eficientes de atingir este menino que tem me ensinado que um simples toque pode estabelecer uma conexão incrível entre nós, e que esta é uma forma simples e eficiente de trazê-lo para dentro da aula. Além disso, venho realizando um trabalho de compreensão e busca de alternativas eficientes para melhorar o processo de aprendizado do “meu menino”, que além das características que possui é também um adolescente típico, com tudo aquilo que isso implica em qualquer situação.

Tê-lo como aluno está me fazendo repensar tudo o que já fiz. Tem sido muito bom para mim, pois estou tendo a oportunidade de aprender algo muito novo e necessário, uma vez que o número de crianças com o mesmo diagnóstico tem aumentado e, profissionalmente, precisamos estar minimamente preparados para lidar com essa geração que vem chegando e precisa ocupar seu lugar na sociedade.

Aproveito este espaço para agradecer a essas mães que estão proporcionando meu crescimento profissional e pessoal, e afirmar que espaços de diálogo-conhecimento-aprendizado como este que foi criado nesta instituição, fazem toda a diferença para os que aqui chegam, para os que aqui estão e para os que daqui Parthem.

Carla Benasser – Professora de Geografia do Colégio Parthenon

Por Mariângela de Araújo, mãe de aluno do Parthenon