Educar é ir além da sala de aula – Colégio Parthenon

Educar é ir além da sala de aula

Compartilhando emoções: a leitura literária em sala de aula
7 de maio de 2019

Escola paulista mescla aulas regulares e projetos complementares para possibilitar novas formações aos seus alunos.

Colégio Parthenon, de Guarulhos – SP, já se antecipa à implementação do novo Ensino Médio e oferece aos seus alunos a oportunidade de participarem de projetos que vão além do currículo tradicional, algo semelhante à noção de itinerários formativos, conforme indicado na Lei do Novo Ensino Médio e na BNCC para essa etapa. Com isso, eles já são apresentados a outras possibilidades de formação, permitindo vivências que os aproxima de uma futura carreira profissional, além de desenvolverem habilidades que não seriam tão potencializadas nas aulas regulares. O diretor da escola, Eduardo de Oliveira, conversou com a EducarMais sobre esses projetos:

A reforma do Ensino Médio fala em currículo comum e itinerários formativos. Ao seu ver, qual a importância desses itinerários?

Eduardo de Oliveira: Os itinerários formativos oferecem a possibilidade de customização do currículo e, com isso, têm o potencial de tornar o Ensino Médio mais atraente para os adolescentes, pois visam assegurar aprofundamento em áreas do conhecimento em que os alunos tenham maior interesse.

Quais benefícios eles podem trazer para os alunos? E para a escola?

Ao propor os itinerários formativos, os alunos antecipam um processo que, do ponto de vista acadêmico, só acontece no final do Ensino Médio, quando precisam escolher a carreira universitária que pretendem seguir. Ou seja, os benefícios vão além de oferecer uma formação de nível médio customizada aos estudantes desse segmento.

Para a escola, isso representa um imenso desafio, pois envolve a adoção de metodologias de trabalho diferenciadas, reestruturação dos espaços de aprendizagem e investimento na formação e contratação de professores que possam ir além dos conteúdos disciplinares tradicionais, já que os itinerários formativos não podem oferecer apenas mais do mesmo. O professor de Literatura, por exemplo, pode aprofundar em um desses itinerários a discussão sobre o Realismo fantástico na literatura latino-americana ou mesmo comparar a obra de Gabriel García Marquez com a do escritor japonês Haruki Murakami. Isso é literatura, mas é muito mais do que aquilo que os alunos viriam no currículo que é determinado para o núcleo comum.

É uma questão de ponto de vista, mas consideramos que todo desafio traz benefícios, pois a escola precisa ser uma instituição inquieta, sempre em movimento, para poder acompanhar as demandas de um mundo em permanente mudança. Isso não é fácil, mas quem quer se diferenciar em um mercado cada vez mais competitivo não deve evitar o difícil.

Quais projetos o Parthenon executa já pensando nesse novo modelo de ensino?

Os alunos, a partir do 9º ano, já podem escolher algumas eletivas disciplinares para cursar, nas diferentes áreas do conhecimento. Todos esses cursos adotam metodologias ativas. Além disso, a cada trimestre eles participam de um projeto que envolve a resolução de problemas da vida real, tendo como referência a metodologia ABP (Aprendizagem Baseada em Projetos).

Introduzimos também no currículo, a partir do 7º ano, a obrigatoriedade de cumprimento de uma certa quantidade de horas em atividades complementares, que podem ser realizadas internamente ou externamente, como visitas a museus, exposições, teatros, cinemas, shows, participações em cursos extracurriculares.

Com isso, temos a intenção de, a longo prazo, formar alunos que tenham um repertório cultural diferenciado, que certamente será muito valorizado no mundo do trabalho e em tantas outras dimensões da vida desses meninos e meninas.

Além das eletivas disciplinares, dos projetos transdisciplinares e das atividades complementares, que são obrigatórias, os alunos ainda têm a possibilidade de participar de outras atividades e projetos que visam aprimorar a formação acadêmica. Um dos projetos mais procurados por eles é a Empresa Jovem, que tem por finalidade criar as condições necessárias para que se desenvolva o espírito empreendedor, bem como outras competências relacionais muito valorizadas no mercado de trabalho (capacidade de trabalhar em grupo e de resolver problemas, resiliência, sociabilidade, comunicação, entre outras).

Por que oferecer esses projetos?

A escola do século XXI ainda tem um caráter seletivo e propedêutico que não combina mais com as demandas do mundo contemporâneo. Os exames vestibulares continuam determinando o currículo escolar. Enquanto essa realidade não mudar, ainda teremos a necessidade de oferecer um currículo com uma carga elevada de disciplinas do núcleo comum a todos os alunos, independentemente daquilo que estabelecer a Base Curricular para o segmento. Mas não podemos ser omissos em relação às outras demandas que esses meninos e meninas enfrentarão após o vestibular. É fundamental prepará-los para que tenham excelente desempenho acadêmico nas universidades e também para que se insiram no mundo do trabalho com competência. A tarefa é enorme e urgente e quanto mais cedo nos dispusermos a enfrentá-la, melhor serão os resultados.

Entrevista publicada originalmente na revista EducarMais.
Ano X – Nº 19 – Maio/2019