Navegar é preciso – Colégio Parthenon

Navegar é preciso

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Educação mediada por tecnologia em tempos de isolamento social

No final de julho de 2009 vivemos uma espécie de ensaio para o que estamos enfrentando no atual contexto. Naquela ocasião, as férias escolares foram “estendidas” até o dia 17 do mês de agosto, como medida emergencial para frear o avanço de uma nova gripe provocada pelo vírus influenza H1N1.

O distanciamento social acabou por acelerar a adoção de novas tecnologias de informação no colégio, com o propósito de assegurar a continuidade da oferta de conteúdos de aprendizagem e a criação de instrumentos de comunicação síncronos e assíncronos, que permitiram que professores e alunos mantivessem o contato, mesmo com a imposição do isolamento.

Na ocasião, optamos pela adoção da Plataforma NING, que apresentava uma estrutura que permitia a criação de uma rede social institucional, com locais para postagens de atividades e conteúdos multimídias, além de possuir salas de bate-papo para comunicação dos professores e alunos e uma estrutura de fórum de discussão para esclarecimentos de dúvidas e realização de debates. Como a plataforma possuía uma interface bastante amigável, a adaptação dos professores e alunos foi bastante rápida, o que foi um componente fundamental para o sucesso da empreitada.

Quando ocorreu o retorno à normalidade, percebemos que o NING poderia ser uma ferramenta excelente para complementar o trabalho presencial dos professores, e fomos gradativamente aprimorando seu uso e introduzindo novas ferramentas para a sala de aula, como tablets e notebooks. Com o aumento do uso de dispositivos, o investimento foi direcionado para a criação de uma potente infraestrutura de rede, para garantir acesso à internet de forma rápida, estável e segura.

Paralelamente, a temática das novas tecnologias da comunicação e informação (NTIC’s) foi incorporada às atividades regulares de formação de professores. Temas como Psicologia da Educação Virtual, Avaliação em Ambientes Virtuais, Ensino Adaptativo, Inovações Disruptivas, Mobile Learning, BYOD, Gamification, Open Educational Resources entre outros passaram a ser incorporados ao vocabulário pedagógico dos profissionais do Colégio Parthenon. Mas, apesar da importância crescente, as tecnologias sempre tiveram o papel que lhe cabe no processo educacional, que é o de coadjuvante para que professores e alunos possam exercer seu protagonismo nas relações de ensino e aprendizagem.

Em 2015, o Colégio Parthenon passou a utilizar o Google for Education, e ferramentas como Google Classroom, Gmail, Calendar, Hangouts, Meet, Google Sites, Google Docs, Google Planilhas, Google Forms, Youtube, Drive, Google Earth, Expeditons, Jamboard e outros impactaram positivamente o cotidiano de alunos, professores e familiares. Muitos professores se tornaram certificados pela Google e até mesmo os alunos do Ensino Médio que atuam pela Empresa Júnior começaram a atuar no treinamento dos professores do Infantil e Fundamental I para uso dessas ferramentas. Até um Grupo de Estudos Google (GEG) se formou entre os professores, que se tornou multiplicador desse conhecimento para educadores do Parthenon e de outras instituições.

Uma década depois de iniciarmos esse percurso, enfrentamos um desafio infinitamente maior que aquele representado pelo Influenza H1N1. O coronavírus tem um poder de transmissibilidade elevado e índices de letalidade assustadores. E, lamentavelmente, na ausência de medicamentos eficazes para os casos mais graves e/ou de uma vacina que possa tornar-nos imunes, só nos resta, como medida de contenção, o isolamento social, única prática que tem demonstrado resultados positivos nos outros países que enfrentam o mesmo desafio.

Há um ditado que diz que “mar calmo nunca fez bom marinheiro”. É em momentos de tormentas que se revela a competência da tripulação para atravessar o mar revolto e perigoso, conduzindo todos a um porto seguro. Essa competência se revela através de nossas ações, trabalho, dedicação, expertise, recursos, poder de inovação, criatividade e, acima de tudo, a confiança conquistada ao longo do tempo.

Graças a essa confiança, as famílias abriram suas casas para que pudéssemos entrar para fazer, remotamente, aquilo que não podíamos fazer presencialmente. Graças ao trabalho e dedicação de professores e professoras, repensamos estratégias didáticas e criamos atividades que pudessem se adequar ao ambiente virtual, para que não houvesse prejuízo à aprendizagem das crianças e adolescentes. A expertise acumulada e os recursos tecnológicos que foram implantados ao longo da última década tornaram possíveis que, em menos de uma semana, a escola já estivesse adaptada ao novo contexto. O poder de inovação e a criatividade permitiu que, a cada desafio, pudéssemos rapidamente encontrar a melhor solução para os problemas enfrentados.

As aulas aconteceram em horários regulares e habituais. As famílias continuaram a ser comunicadas de ausências, faltas de tarefas e eventuais comportamentos inadequados, exatamente como faríamos se estivéssemos na escola. Projetos e aulas eletivas seguiram normalmente. Atividades do PAC (Atividades Culturais) foram adaptadas para a situação e os alunos e alunas tiveram a oportunidade de fazer visitas virtuais a museus, assistir filmes em plataformas de streaming, ler livros e ampliar o repertório cultural de outras formas.

Paradoxalmente, apesar do distanciamento social, nunca estivemos tão próximos das famílias. Realizamos semanalmente reuniões com os pais, a direção e a coordenação. Enviamos questionários para obter feedbacks semanais, para promover eventuais correções de rota e ouvir sugestões e queixas das famílias. Especialmente com os alunos mais velhos, os coordenadores realizaram reuniões por segmentos e por séries. Com os professores, os encontros com a direção e coordenação tiveram também periodicidade semanal.

Se o Parthenon não tivesse iniciado, há dez anos, um percurso de investimento em tecnologia da informação e comunicação, seguramente teria sido muito difícil chegar às casas das milhares de famílias que confiaram a educação de seus filhos ao colégio. A tecnologia foi meio fundamental para rompermos a barreira imposta pelo isolamento social. Mas estamos absolutamente seguros em afirmar que, sem a parceria e confiança das famílias e sem contar com uma equipe pedagógica engajada e competente, atravessar a tormenta teria sido impossível.

Eduardo de Oliveira
Diretor da Unidade 1