Os agrotóxicos e os riscos na gravidez

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Os agrotóxicos e os riscos na gravidez

Esses mesmos produtos foram utilizados tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial como armas químicas.
Por Sarah C. Z.*

Os agrotóxicos são considerados defensivos agrícolas, servindo para a exterminação ou, ao menos, para a diminuição de pragas nas plantações, o que otimiza a produção agrícola e maximiza os lucros dos agricultores. Apesar de beneficiarem a economia agrária, esses produtos prejudicam a saúde humana, podendo influenciar no surgimento de doenças como Alzheimer, depressão e câncer.

De acordo com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), um brasileiro consome cerca de 4,5 litros de agrotóxicos por ano em alimentos agrícolas e derivados. A situação é ainda agravada a partir do momento em que o Brasil é o atual campeão mundial no consumo de agrotóxicos. Isso se deve principalmente ao fato de que, em território brasileiro, é legalizado o uso desses defensivos agrícolas em alta escala, o que aumenta drasticamente o uso desse produto e contribui para que haja um excesso desses compostos nos produtos agrícolas, pois a fiscalização ainda não é rígida no Brasil.

As grávidas e os embriões são um público especialmente sensível às consequências do uso indiscriminado de agrotóxicos. Por estarem em um momento em que estão compartilhando sua energia e tendo que nutrir seus filhos, as mulheres grávidas acabam constituindo uma parcela da população que está mais suscetível aos efeitos negativos dos agrotóxicos.

Por conta da suscetibilidade das mães, os embriões também ficam sensíveis aos efeitos colaterais da ingestão dos agrotóxicos. A situação agrava-se com o fato de que esses seres vivos estão passando por um desenvolvimento de transição entre o zigoto e o feto, o chamado desenvolvimento embrionário, o qual envolve a formação do sistema nervoso, muscular e circulatório, entre outros. Por conta disso, o consumo excessivo de agrotóxicos pelas grávidas pode ocasionar diversas doenças ou anomalias físicas em seus filhos, como espectro autista, anencefalia, espinha bífida e lábio leporino.

Uma saída apontada por ambientalistas para o tema é o consumo de produtos orgânicos, os quais teoricamente são feitos sem que qualquer defensivo agrícola atue sobre a plantação. O ponto, porém, é que esses produtos são mais caros e, de acordo com Nicholas Vital, autor de “Agradeça aos agrotóxicos por estar vivo”, livro no qual defende o uso de agrotóxicos e critica o “sensacionalismo” envolvendo os alimentos orgânicos, o mercado dos orgânicos representa apenas 0,5% da produção agrícola total.

Vital também afirma que o uso de agrotóxicos é necessário para a sobrevivência da população, pois otimizam a produção e, consequentemente, conseguem fazer com que haja uma quantidade maior de alimentos para a população. Sem os agrotóxicos, a produção seria bem menor, o que afetaria toda a sociedade, em âmbito mundial, e contribuiria para uma crise alimentar generalizada.

A grande questão apontada pelos defensores dos agrotóxicos é que eles seriam um “mal necessário”, sendo que há aqueles que defendem que esses defensivos agrícolas não têm qualquer relação com o aumento dos casos de câncer ao redor do mundo. O que estaria acontecendo, segundo eles, seria um aumento no número de pacientes que recebem o diagnóstico de câncer, e não no número de pessoas com a doença.

Os agrotóxicos são classificados em herbicidas (os quais combatem ervas daninhas), inseticidas (usados contra insetos), fungicidas (contra a presença de fungos), desfoliantes (para evitar folhas indesejadas) e fumigantes (para retirar bactérias nos solos). O tipo de agrotóxico usado na plantação depende do que deve-se combater e, principalmente, o tipo de agricultura que acontece naquela área. Monoculturas, ou seja, plantações de uma única espécie vegetal, propiciam um ambiente mais favorável ao desenvolvimento de pragas do que policulturas, recebendo uma quantidade maior de agrotóxicos. Além disso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Censo Agropecuário Brasileiro (de 2006), os agrotóxicos são utilizados em maior quantidade em latifúndios.

Além dos danos causados aos seres humanos, o uso incorreto e indiscriminado de agrotóxicos causa danos ao meio ambiente, como contaminação do solo e dos lençóis freáticos, caracterizados como reservatórios de água subterrânea, além da contaminação dos próprios produtos agrícolas.

Segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), em 2017, o cultivo de soja foi o campeão no uso de agrotóxicos, seguido dos cultivos de cana-de-açúcar, milho e algodão, respectivamente. Apesar disso, o pimentão segue como o alimento com maior potencial de excesso de agrotóxicos e a laranja, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), em uma pesquisa realizada entre 2013 e 2015, com maior potencial de intoxicação (de 744 amostras analisadas, 90 apresentavam risco agudo de intoxicação).

Entre os anos de 2010 e 2017, de acordo com informações divulgadas pelo Insitituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), houve um expressivo crescimento no uso de agrotóxicos nas plantações em território brasileiro. No início de 2019, o Ministério de Agricultura aprovou o registro de 398 agrotóxicos de elevada toxicidade e 52 de baixa toxicidade. A Anvisa afirma que vários desses produtos são proibidos em outros países, como Estados Unidos e China, e que agora estão consolidando um mercado consumidor no Brasil.

Enquanto não há uma legislação ambiental que combata o excesso de agrotóxicos nas lavouras nem uma alternativa a esses produtos, os humanos continuarão expostos aos riscos que eles proporcionam em elevada quantidade, e as grávidas continuarão suscetíveis às consequências da utilização desses produtos nos alimentos vegetais até que algo mude em âmbito nacional ou mundial. Além disso, a demora por respostas governamentais sobre o tema pode prejudicar toda uma geração futura, a qual já está exposta desde a barriga das mães aos agrotóxicos.

*Aluna do primeiro ano do Ensino Médio, envolvida no Projeto Fome de Quê com o tema “Agrotóxicos na gravidez” (Grupo G8 – Orientador: Diógenes).